altO jornalista e escritor Ricardo Viveiros conquistou o Prêmio “Antonio Bento” da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) em 2012, na categoria Reportagem na Mídia Cultural, pelas matérias e livros de arte que publica há mais de 20 anos. Entrega do prêmio será no dia 22 de maio, às 20 horas, no teatro do SESC Vila Mariana, em São Paulo.

A ABCA tem a história de seu surgimento ligada à Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), fundada em 1948, em Paris, como uma ONG. Essa entidade surgiu no âmbito das primeiras atividades da UNESCO, criada em 1945, sob o impacto do final da Segunda Guerra Mundial. Nesse organismo multilateral firmava-se a cultura como um ideal para a reconstrução de novos tempos, com atitudes mais compreensivas em relação às diferenças entre os povos e a procura de uma realidade mais humanitária no mundo.
A ABCA, mais antiga associação brasileira de profissionais da área das artes visuais, foi criada em 1949, tendo participado do ato de fundação os críticos Sérgio Milliet, seu primeiro presidente, Mário Barata, Antonio Bento e Mário Pedrosa, dentre outros importantes intelectuais atuantes na crítica de arte. Como meta, a entidade busca promover a aproximação e o intercâmbio entre os profissionais que atuam na área da crítica e incentivar a pesquisa e a reflexão no domínio das disciplinas significativas para a arte, contribuindo para a produção artística e da teoria da arte, incentivando, desta forma, não só a esfera das artes visuais, mas também a educação e a cultura.

Critérios do Prêmio ABCA
Os critérios e formas de premiação anual da ABCA podem ser resumidos da seguinte forma: os prêmios são atribuídos por votação de todos os associados, em nível nacional, a partir das indicações que todo sócio pode enviar para discussão e aprovação da Assembleia Geral da entidade. Para cada uma das 10 diferentes categorias, são indicados três nomes. A votação faz-se por cédula com as indicações aprovadas. A apuração dos resultados é realizada por uma comissão de associados, com a participação da diretoria, sendo apresentada à Assembleia para verificação e aprovação final. Os prêmios são entregues aos outorgados em cerimônia pública.

Troféus
Desde 2000, o troféu do Prêmio ABCA é uma escultura de Nicolas Vlavianos, artista grego radicado no Brasil há mais de 20 anos, com vasta e reconhecida produção como criador contemporâneo.
Entre 1995 e 1999, o troféu foi uma escultura de Bruno Giorgi, cedida pela viúva do artista, Sra. Leontina Giorgi. Anteriormente, os troféus foram criados por Haroldo Barroso e Maurício Salgueiro.


Conjunto da obra de Ricardo Viveiros
Carioca de nascimento e cidadão paulistano por reconhecimento da Câmara Municipal de São Paulo (2006), Ricardo Viveiros é jornalista, escritor e professor universitário. Foi diretor do Museu Histórico de Fundação da Cidade de São Paulo (Pátio do Colégio), de 1980 a 1984. Toda a sua trajetória tem estreita ligação com a arte e a cultura.

No início dos anos 80, pela Central de Outdoor, Viveiros promoveu importantes eventos culturais, destacando-se “Arte na Rua”. O projeto mesclou artistas consagrados e iniciantes, do Brasil e do Exterior, pela primeira vez no País abrindo espaço público à arte. Na mesma época, com o pintor Aldir Mendes de Souza, foi coautor da obra “Corpoema”, exposta no tapume que cercou o Louvre, em Paris–França, durante a construção da pirâmide de vidro à entrada principal do museu.

Viveiros é autor de 24 livros em distintas áreas (história, poesia, biografia, infantojuvenil, crônica e arte), alguns traduzidos para outros idiomas e em várias edições, e está incluído em inúmeras antologias de literatura. Dentre suas obras, “Da Arte do Brasil” (bilíngue, português-inglês, lançado em 2007, hoje em 2ª edição) — é livro referencial sobre a pintura brasileira.

Viveiros escreve sobre artes plásticas, regularmente, para jornais e revistas em todo o País. Há 20 anos, comemorados neste 2012, é o autor das matérias de capa sobre arte, publicadas na conceituada Revista Abigraf. Escreveu mais de 50 perfis de artistas plásticos. Visitou museus e galerias de arte em 104 países.

Foi presidente da 34ª edição e é presidente do Conselho Curador do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, São Paulo, o maior evento do gênero (charges, cartoons, caricaturas e quadrinhos) em todo o mundo.

Nós últimos 30 anos, Viveiros tem sido um permanente e dedicado incentivador de artistas plásticos e críticos brasileiros e de suas associações de classe, conseguindo-lhes patrocínios para a realização de exposições, edição de catálogos e de livros de arte, além de contratos para crítica em veículos da comunicação corporativa.

Tem, ainda, defendido a abertura de mercado de trabalho na contratação de desenhistas e pintores para a ilustração de jornais, revistas, livros e, especialmente, portfólios e relatórios anuais de empresas e instituições. Também tem incentivado a compra, por esses mesmos setores, de obras de arte no Brasil e no Exterior.

Alguns dos já premiados, nas diversas
categorias, ao longo do tempo

Ricardo Viveiros soma-se a nomes importantes já premiados pela ABCA: Fábio Magalhães, Olívio Tavares de Araújo, Ana Maria Belluzzo, José Roberto Teixeira Leite, Aracy Amaral, Quirino Campofiorito, Clarival do Prado Valadares, Waltercio Caldas, Siron Franco, Maria Bonomi, Carlos Vergara, Renina Katz, Fayga Ostrower, Tunga, Lygia Pape, Lívio Abramo, Arcângelo Ianelli, Marcos Mendonça, Milu Vilela, Emanoel Araújo, Pietro Maria Bardi, Joseph Safra, Gilberto Chateaubriand, Roberto Marinho, Nise da Silveira, Walter Zanini, Ferreira Gullar, Mário Barata, Frederico Morais, Cícero Dias, Ricardo Brennand e Ruy Mesquita.

Premiados em 2012

A apuração dos votos de todo o Brasil aconteceu nesta última terça-feira (24/4), em São Paulo, Capital. Eis os vencedores nas 10 categorias do prêmio na edição de 2012:

• Prêmio Gonzaga Duque – destinado a crítico associado da ABCA, pela atuação: ANNATERESA FABRIS.

• Prêmio Sergio Milliet – destinado a crítico e pesquisador (associado ou não), por trabalho de pesquisa publicado: JOÃO J. SPINELLI pela publicação do livro Alex Vallauri, Graffiti – fundamentos estéticos do pioneiro do grafite no Brasil. São Paulo, BEI Editora, 2011; e MARIA AMÉLIA BULHÕES pela publicação do livro Web arte e poéticas do território. Porto Alegre, Editora Zouk, 2011.

• Prêmio Mário de Andrade – destinado a crítico de arte, pela trajetória: DAISY PECCININI.

• Prêmio Mario Pedrosa – destinado a artista contemporâneo: SERGIO LUCENA.

• Prêmio Ciccilo Matarazzo – destinado a personalidade atuante no meio artístico: JOÃO CÂNDIDO PORTINARI.

• Prêmio Clarival do Prado Valladares – destinado a artista, pela trajetória: YARA TUPINAMBÁ.

• Prêmio Maria Eugênia Franco – destinado à curadoria de exposições: AGNALDO FARIAS pela curadoria da exposição “Nelson Leirner 2011-1961 – 50 anos” (Galeria de Arte do Sesi-SP, de 06 de setembro a 06 de novembro de 2011).

• Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade – destinado a instituição cultural pela programação no ano: ITAÚ CULTURAL.

• Prêmio Antônio Bento – destinado à reportagem na mídia cultural: RICARDO VIVEIROS, pela “Revista Abigraf – Arte & Indústria Gráfica”; e LEONOR AMARANTE, pela revista “Arte! Brasileiros”.

• Prêmio Paulo Mendes de Almeida – destinado à melhor exposição do ano: Exposição JOAQUÍN TORRES GARCÍA: GEOMETRIA, CRIAÇÃO e PROPORÇÃO realizada na Fundação Iberê Camargo, de 10 de setembro a 20 de novembro de 2011.

• Destaques: Alberto Beuttenmüller, por suas publicações em 2011; Bienal de Curitiba, pelo evento de 2011; V & M do Brasil Centro de Cultura/MG, pela programação e publicações; Morgan da Motta/MG, pelos 25 anos da mostra Tridimensional da Arte, realizada em Belo Horizonte, Minas Gerais.

• Homenagem: Frederico Morais, na ocasião de documentário sobre sua trajetória crítica.