"Eu vejo a terra assim", foi o que Brecheret
respondeu quando lhe perguntaram porque chamara Terra
a uma pesada estátua de mulher. Pequeno, entroncado,
uma cabeça de imperador romano, falando uma lingua
que mal se entendia, mistura de português, italiano
e francês, de uma bondade que se escondia por
trás da carranca, assim era Bercheret que conheci
em Paris por volta de 1926 num café de Monteparnasse.

Homem simples, metódico, sem vícios, não
chegava a gastar a mesada. Falo do bom tempo em que
se podia ficar horas sentado no "Rotonde"com
um simples "café crême" que não
era preciso tomar sequer, que não passava de
uma espécie de direito à mesa.
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Da esquerda
para a direita: Vitor Brecheret, Di Cavalcanti,
Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e Helio
Selinger. |
Em 1922, quando da Semana de Arte Moderna, sua presença
em São Paulo, foi positivamente escultórica
e sua peças, ainda muito influenciadas por Mestrovic,
eram revelações maravilhosas.Dele fez
então Oswald de Andrade o Herói de um
romance. Menotti escreveu várias crônicas
a seu respeito e todos nós quisemos possuir alguma
coisa do gênio. Do jargão que empregava,
para se exprimir, tem-se uma noção pela
história que me contou de uma feita. "O
cão ele avançava, per Bacco, e moi je
roucoulais"…
Sergio Milliet
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