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Boa Noite! Hoje é Sábado, 11 de Outubro de 2008
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A Semana de 22
A época de Anita Malfatti
Artes
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A Exposição de Anita Malfatti
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A crítica de Lobato

Personalidades
Afonso Schmidt
Alfredo Pujol
Anita Malfatti
Antônio Moya
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Ferrignac
Georg Przyrembel
Graça Aranha
Guilherme de Almeida
Guiomar Novaes
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Hildegardo Leão Veloso
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Paim Vieira
Plínio Salgado
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Ronald de Carvalho
Rubens Borba de Moraes
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Victor Brecheret
Wilhelm Haarberg
Yan de Almeida Prado
Zina Aita

Artes


A ÉPOCA DE ANITA MALFATTI

“Pensei, o artista esta certo. A luz do sol é composta de três cores primárias e quatro derivadas. Os objetos se acusam só quando saem da sombra, isto é, quando envolvidos na luz... Nada neste mundo é incolor ou sem luz.”
Anita Malfatti

O Brasil no início do século XX vivia um período de estabilização do regime republicano, porém parecia ainda não ter saído do século XIX quanto ao desenvolvimento econômico, muito inferior ao alcançado pela Europa e Estados Unidos. O país encontrava-se endividado. As maiores fontes de recursos eram as poucas indústrias quebradas, e a agricultura, voltada para a exportação do café, do cacau e da borracha.

A Europa continuava a exercer influência cultural muito forte, rica e variada, especialmente nas classes mais abastadas, que consumiam seus produtos industrializados e artigos de luxo.

A Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) acarretou profundas mudanças nos diferentes setores da vida humana, no mundo todo. No Brasil, as importações foram suspensas e cresceu mais ainda o fluxo de famílias européias empobrecidas que vinham em busca de trabalho e de uma vida melhor. O processo de industrialização e de urbanização foi estimulado, acentuando os contrastes sociais, particularmente entre a aristocracia rural e o proletariado, este constituído principalmente por imigrantes e por negros recém-libertados e marginalizados.

No aspecto cultural, ritmos e artistas nacionais começavam a ser valorizados. Nos chamados ritmos populares, a modinha, o maxixe e a toada substituíam a polca e a valsa européia nos salões de dança. Na música erudita despontaram artistas, como o cearense Alberto Nepomuceno.

Em 1901 o Carnaval firmava-se como festa popular, e Chiquinha Gonzaga divulgava a marcha “Ó abres alas”. Em 1904 o gramofone ajudou a difundir a música por todo o país. Na literatura, fazia-se presente um traço conservador e acadêmico da linguagem parnasiana com Raimundo Correa e Olavo Bilac, bem como o trabalho inovador com Manuel Bandeira, Ronald de Carvalho e Oswald de Andrade. Na pintura, as tendências artísticas da segunda metade do século XIX, que pareciam perpetuar-se no academismo de Rodolfo Amoedo por exemplo, já sofriam mudanças com a produção de alguns artistas, como Eugênio Latour e Elizeu Visconti, que punham em evidência o Impressionismo. Só mais tarde a pintura brasileira deu sinais claros de renovação, com a exposição de Lasar Segall, em 1913, e com a exposição de Anita Malfatti, que em 1917, recém-chegada da Europa, trazia na bagagem a experiência de seus contatos com as obras impressionistas e as vanguardas européias, em especial o Expressionismo Alemão. Assim a arte moderna chegava ao Brasil não por evolução, mas por ruptura.

Finda a Primeira Guerra em 1918, na década de 1920 expandiu-se por todo o mundo certa euforia pelo desejo de aproveitar a vida: comemorava-se a paz e rompia-se com os velhos preconceitos. Mas o mundo não era mais o mesmo. Os Estados Unidos haviam passado a dominar a economia, exportando para a enfraquecida Europa e para as Américas carros, aviões, rádios e outros eletrodomésticos aperfeiçoados a partir de armas bélicas para serem incorporados à nova sociedade de consumo de massa, que se formava.

A França continuava a ser o berço cultural das vanguardas européias. O Brasil também foi influenciado pelas novas idéias artísticas que surgiram. A assimilação dessas propostas culminou, na década de 1920, com a busca de novas formas de expressão, integrada a temas brasileiros e à valorização das raízes populares, o que levou ao resgate da imagem do negro, do índio e do caipira, do folclore regional, da cozinha típica, das crenças e músicas e à incorporação da fala “errada” do povo – mistura dos idiomas falados na Europa com o Português.

Anita Malfatti foi pioneira na implantação da arte moderna no Brasil com sua exposição de 1917, tão criticada e comentada, mas ao mesmo tempo instigante e arrojada.

Numa verdadeira cruzada cultural, Anita Malfatti uniu-se a um grupo de intelectuais, hoje conhecidos como “modernistas”, que pretendia mesclar toda essa cultura popular com o desenvolvimento urbano e industrial que se dava, em ritmo alucinante, nas grandes cidades do país. Assim decidiu-se realizar em São Paulo, em fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna.


Créditos: Lígia Rego (especialista em arte-educação pela Universidade de São Paulo) e Lígia Santos (arte-educadora)





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