Era um porão alto na praça da República.
Alguns quadros de Di Cavalcanti, um busto de Brecheret
e o gordo anfitrião Oswald de Andrade a descobrir
gênios nos amigos. Di ainda era magro, mais caricaturista
do que pintor e em busca de um tipo que, mais tarde,
levaria ao de suas mulatas com tanta sensualidade pintadas.
Quando ocasionalmente se lançava à pintura,
empregava uma técnica impressionista a serviço
de seu expressionismo natural. Davam-se bem os dois
inquietos de 22, piadistas ambos e mordazes. E generosos
também, e atentos a todas as novidades artísticas
e políticas.

Os freqüentadores do porão eram tão
diferentes de gestos e temperamentos que só mesmo
a personalidade mais do que complexa, surrealista, de
Oswald os podia reunir num mesmo local. Di comparecia
às vezes, porém vivia mais no Rio do que
em São Paulo. Encontrava-o também no apartamento
de Guilherme de Almeida onde o grupo era mais homogêneo.
Depois perdi-a de vista e só o fui rever em Paris,
na Rotonde, ou nos cafés de Barbés-Rochechouart,
bairro em que eu residia. E ocorria irmos parar na pensão
de Brecheret, Avenida du Maine, ao lado do atelier de
Brancusi.
Sérgio Milliet
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