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Boa Tarde! Hoje é Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
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A Semana da Arte
Artes
A época
O início
A Exposição de Anita Malfatti
O Grupo
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O Festival
A Semana
A crítica de Lobato

Personalidades
Afonso Schmidt
Alfredo Pujol
Anita Malfatti
Antônio Moya
Cândido Portinari
Di Cavalcanti
Ernani Braga
Ferrignac
Georg Przyrembel
Graça Aranha
Guilherme de Almeida
Guiomar Novaes
Heitor Villa-Lobos
Hildegardo Leão Veloso
John Graz
Mario de Andrade
Martins Ribeiro
Menotti Del Piccia
Oswald de Andrade
Paim Vieira
Plínio Salgado
Rêgo Monteiro
René Thiollier
Ronald de Carvalho
Rubens Borba de Moraes
Sérgio Milliet
Tarsila do Amaral
Victor Brecheret
Wilhelm Haarberg
Yan de Almeida Prado
Zina Aita

Artes


A idéia da realização de uma semana de arte, para divulgar as novas posições artísticas, cabe a Di Cavalcanti, quando do lançamento de seu álbum Fantoches da Meia-Noite, editado pela Casa Editora O Livro, de Jacinto Silva, em São Paulo, em novembro de 1921. É também atribuída à senhora Paulo Prado, d. Marinette Lebrun, que sugere que se faça algo como em Deauville, França: temporadas com diferentes festivais, mesclando moda, exposição de quadros, concertos e outras atrações. Di Cavalcanti se entusiasma e leva adiante a proposta do evento, que marca o início do modernismo no Brasil.

No dia 29 de janeiro de 1922, o jornal Correio Paulistano anuncia a "Semana de Arte", que acontece entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo: "Diversos intelectuais de São Paulo e do Rio, devido à iniciativa do escritor Graça Aranha, resolveram organizar uma semana de arte moderna dando ao nosso público a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, pintura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual".

A presença de Graça Aranha, autor de Canaã, na Semana de Arte Moderna, dada como "iniciativa", é importante devido ao seu prestígio nos meios intelectuais da época.

A Comissão Patrocinadora da Semana é formada por Paulo Prado, Alfredo Pujol, Oscar Rodrigues Alves, Numa de Oliveira, Alberto Penteado, René Thiollier, Antônio Prado Júnior, José Carlos Macedo Soares, Martinho Prado, Armando Penteado e Edgar Conceição.

 

Da esquerda para direita e de cima para baixo: o jornalista italiano Francesco Pettinati, René Thiollier, Manuel Bandeira, Afonso Shimidt, Paulo Prado, Graça Aranha, Manoel Vilaboin, Goffredo da Silva Telles, Couto de Barros, Mário de Andrade, Cândido Mota Filho. Sentados: Rubens Borba de Morais, Luiz Aranha, Tácito de Almeida, Oswald de Andrade.

O Correio Paulistano, de 29 de janeiro de 1922, publica a relação de "artistas modernos" presentes na Semana:

"Música - Villa-Lobos, Guiomar Novaes, Paulina D'Ambrosio, Ernani Braga, Alfredo Gomes, Frutuoso e Lucília Villa-Lobos.

Literatura - Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Alvaro Moreyra, Elysio de Carvalho, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Renato Almeida, Luiz Aranha, Ribeiro Couto, Deabreu, Agenor Barbosa, Rodrigues de Almeida, Afonso Schmidt, Sérgio Milliet, Guilherme de Almeida, Plínio Salgado.

Escultura - Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso, Haarberg.

Pintura - Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Ferrignac, Zina Aita, Martins Ribeiro, Oswaldo Goeldi, Regina Graz, John Graz, Castello e outros.

Arquitetura - A. Moya e Georg Przyrembel."

A relação dos artistas divulgada pelo Correio Paulistano é contestada por artistas e membros da comissão patrocinadora do evento. Enrico Castello e Regina Graz, em depoimento, afirmam não ter participado da exposição. Anita Malfatti diz ao historiador Paulo Mendes de Almeida que nem todos os artistas estão representados na lista. Outros não constam da relação, como J.F. (Yan) de Almeida Prado e Vicente do Rego Monteiro, segundo o livro A Semana de Arte Moderna, de René Thiollier.

Tanto Martins Ribeiro como Oswaldo Goeldi não puderam ser confirmados posteriormente por Aracy Amaral como participantes, em depoimentos obtidos de seus contemporâneos.

A Semana, com seus três festivais ocorridos nas noites de 13 e 17 e na tarde de 15 de fevereiro, é realizada no Teatro Municipal, alugado por 847 mil-réis pelo "empresário" do evento, o escritor René Thiollier, a quem Paulo Prado solicita a colaboração.

Pouco ou quase nada é divulgado pelos jornais na época sobre a exposição de artes plásticas. As publicações registram apenas poucos comentários sobre as obras, por Sérgio Milliet, Graça Aranha, Menotti del Picchia, Mário de Andrade, e as defesas de Oswald de Andrade aos artistas presentes em geral: "No saguão do Municipal, estarão expostas, desde às 20 e meia hora, esculturas e pinturas futuristas".

A exposição de arte moderna acontece no saguão do Teatro. Fica aberta ao público durante os oito dias do evento. Os artistas expositores, que se dizem "vanguardistas", apresentam-se, segundo a descrição de Yan de Almeida Prado, à esquerda e à direita da escadaria, onde se encontram os relevos de Brecheret. No centro do saguão, há outros trabalhos de Brecheret e a maquete da casa da Praia Grande, do arquiteto polonês Georg Przyrembel.

Às noites, o público lota o saguão do Teatro. "Não havia quem não se deixasse tomar de pavor e êxtase, ao defrontar com os horrores épicos da senhorinha Anita Malfatti. E não a poupavam!", relata René Thiollier. Mas Anita não é a única criticada.

Os passadistas não se colocam somente contra as artes visuais. Direcionam sua fúria ao movimento e ao conjunto das inovações artísticas apresentadas na música, pintura, escultura e poesia durante os dias em que transcorreu a Semana de Arte. Assim, instaura-se um debate que permeia a década de 1920, na imprensa e nos círculos intelectuais e artísticos nacionais.

Mas, no dia 14 de fevereiro de 1922, uma nota no jornal Correio Paulistano registra: "Nunca os nossos artistas se congregaram em hostes, ligando num mesmo elo a pintura, a escultura, a música e a poesia. Essas formas de expressão emotivas andaram sempre, se não divorciadas, pelo menos isoladas e quase interdependentes. Sob esse ponto de vista, a Semana de Arte Moderna é digna de nota".





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