No dia 13 de fevereiro de 1922, o Teatro Municipal de
São Paulo abre suas portas para o Festival da Pintura
e da Escultura, que integra a Semana de 22. O murmúrio
de prazer e indignação toma lugar já
no saguão de entrada, ocupado por pinturas, desenhos,
colagens, esculturas e projetos arquitetônicos dos
artistas plásticos paulistas e cariocas.
No interior do Teatro, com cadeiras e frisas tomadas
"por distintas famílias da nossa melhor
sociedade", a primeira noite do Festival é
apresentada em dois momentos: a primeira parte é
aberta pelo escritor Graça Aranha, que faz sua
conferência "A Emoção Estética
na Arte Moderna", ilustrada por poesias de Guilherme
de Almeida e Ronald de Carvalho e pela música
executada por Ernani Braga. Em seguida, iniciam-se os
concertos de música de câmara de Villa-Lobos
– a Sonata II, para violoncelo e piano (1916),
e o Trio II, para violino, cello e piano (1916).
A repercussão é imediata: a assistência
obriga os poetas a declamar outras poesias, e a apresentação
de Villa-Lobos é coroada por frenéticos
aplausos.
A segunda parte do festival – Pintura e Escultura
– é preenchida pela conferência de
Ronald de Carvalho "A Pintura e a Escultura Moderna
do Brasil" e por solos de piano de Ernani Braga
– Valsa Mística, da Simples Coletânea
(1917); Camponesa Cantadeira, da Suíte Floral
(1919); e A Fiandeira (1921) –, além de
um octeto, sob a direção de Villa-Lobos
– Três Danças Africanas: Farrapos
- Dança dos Moços (1914); Kankukus - Dança
dos Velhos (1915); e Kankikis - Dança dos Meninos
(1916).
Além dos concertos, as últimas palavras
de Ronald de Carvalho, "concitando os paulistas
a procurarem seus artistas que tão bem sabiam
interpretar, quer no mármore como na tela ou
na poesia, a violenta e forte vida americana",
são ditas "debaixo de vibrantes aplausos",
comenta, no dia seguinte, o Jornal do Commercio.