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Boa Noite! Hoje é Sábado, 11 de Outubro de 2008
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A Semana de 22
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Artes
A época
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A Exposição de Anita Malfatti
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A crítica de Lobato

Personalidades
Afonso Schmidt
Alfredo Pujol
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Di Cavalcanti
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Ferrignac
Georg Przyrembel
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Guilherme de Almeida
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Oswald de Andrade
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Tarsila do Amaral
Victor Brecheret
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Yan de Almeida Prado
Zina Aita

Artes


Durante os anos de 1920 e 1921, "o grupinho de intelectuais paulistas" reúne-se para discutir, no ateliê da pintora Anita Malfatti, nos bares da cidade, na redação do jornal Correio Paulistano ou no apartamento de Oswald de Andrade. Suas idéias são publicadas em artigos na imprensa, provocando e envolvendo a área cultural da época.

Ao contrário da década anterior, os modernistas estão, agora, informados sobre o futurismo e debatem seus principais autores. Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, todos lêem as brochuras futuristas.

Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida


Nesse primeiro momento, para romper com os princípios e as técnicas, o grupo dispõe-se a tudo, inclusive a aceitar as idéias de Marinetti. "Afinal, Marinetti oferecia, aos descontentes, uma doutrina, e a dialética poderia torná-la ampla, capaz de compreender um sem-número de direções. Ademais, pela rebeldia de suas opiniões e pela estranheza de suas realizações (ou pelo menos declarações públicas), já estavam catalogados como perturbadores da ordem estética... Ser futurista poderia valer por um título de glória", conta o historiador Mário da Silva Brito.

Para os intelectuais e o público da época, o futurismo é tudo aquilo que parece diferente ou inusitado, assim considerado pelos críticos conservadores, em 1920 e 1921. Passa a ser futurista tudo o que se afasta dos padrões convencionais vigentes.

São futuristas – segundo a visão conservadora – Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e John Graz. Esses artistas estão no saguão do Teatro Municipal como representantes, entre outros, das artes plásticas na Semana de Arte Moderna, uma idéia de Di Cavalcanti levada a efeito pelo grupo modernista e por patrocinadores pertencentes à sociedade paulistana. Assim como o são Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, entre outros escritores.

Mário já negara ser futurista, em artigo-resposta a Oswald de Andrade. Também o faz num trecho do "Prefácio Interessantíssimo", de seu livro Paulicéia Desvairada, publicado em 1922, após a Semana de Arte Moderna:

"Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do artigo e deixei que saísse."

A polêmica entre os dois inicia-se no ano anterior, 1921, o que não impede a concretização da Semana de Arte Moderna, pois os modernistas lutam por uma "arte livre". Se 1920 é de planejamento e de opções, o ano seguinte é marcado por ser de combate, rompimento, hostilidade, afirmações, conquista de terreno e preparo para o grande evento, pela derrubada das regras e sistemas em busca de meios amplos de expressão e comunicação.

O ano de 1921 inicia-se com o discurso de Oswald de Andrade a Menotti del Picchia no Trianon, São Paulo, prenunciando o clima da Semana de Arte. Termina com o artigo "A Moderna Orientação Estética", de Cândido Motta Filho, publicado no Correio Paulistano, em 17 de outubro:

"A arte, sendo manifestação da Vida, não pode furtar-se às leis da vida. As filosofias variam; as ciências variam; a moralidade varia; o costume varia; o Universo vive em constante transformação; os seres variam, os minérios endurecidos variam. Por que a arte há de ser mumificada, há de estancar-se diante da muralha chinesa? Hoje, os heróis da estética estão vendo a realização de seu sonho. A Arte será, como sempre foi, o espelho de uma época. Modificar-se-á com os caprichos incompreensíveis da vida; mas, em todas as suas manifestações, terá liberdade, imensa liberdade. Imitar o clássico, copiar o passado, cingir-se e estritamente, a ele, é matar a arte. Ela é a inspiração e não imitação; arte é sentimento livre e não servilismo. Como impor à ultra-sensibilidade moderna o passado calmo, diverso, para nós, quase que incompreensível? A Arte tem algo de Proteu. E encarar a Arte é encarar Proteu. Absurdo!"





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