Em meio à efervescência política mundial
do início do século passado, com a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918), e, no Brasil, com os movimentos
anarquistas (1917 e 1918), uma mostra de arte viria a
ser o marco do modernismo no país: a exposição
de Anita Mafaltti de 1917 / 1918.
O marasmo do meio artístico paulista é quebrado
com essa exposição, realizada de 12 de dezembro
de 1917 a 11 de janeiro de 1918. Encorajada pelo jornalista
Arnaldo Simões Pinto e pelo pintor Di Cavalcanti,
Anita inaugura sua mostra, com 53 obras, em sala térrea,
cedida pelo Conde de Lara, na Rua Líbero Badaró,
nº 111. A exposição torna-se um acontecimento
que desperta grande interesse do público e da crítica.
Em 20 de dezembro de 1917, Monteiro Lobato publica no
suplemento Estadinho do jornal O Estado de S. Paulo, o
artigo "A Propósito
da Exposição Malfatti", também
conhecido como "Paranóia ou Mistificação?",
no qual tece violenta crítica ao trabalho da artista,
revelando-se verdadeiro porta-voz do pensamento acadêmico
em voga. Embora tenha marcado definitivamente o trabalho
de Anita, a crítica de Lobato tem o mérito
de gerar uma polêmica entre intelectuais e artistas
solidários à pintora. Oswald de Andrade
e Mário de Andrade, jovens escritores, e pouco
depois o escultor Victor Brecheret unem-se a ela contra
os defensores da arte acadêmica, colocando em pauta,
pela primeira vez, o conflito entre a arte moderna e os
passadistas. Esse episódio sinaliza o início
do movimento modernista no Brasil. Segundo o crítico
Paulo Mendes de Almeida, é "uma tomada de
consciência nacional de um problema que, até
então, não fora sequer equacionado entre
nós". |