O Minimalismo
A tendência à arte minimalista desenvolveu-se
nos EUA durante os anos 50 e só usava as formas
geométricas mais simples. O caráter impessoal
desse gênero é visto como reação
à emotividade do expressionismo abstrato.
Se o expressionismo abstrato dominava as décadas
de 1940 e 1950, o minimalismo era fenômeno dos
anos 60. surgiu da arte contida e espartana de expressionistas
abstratos como Mark Rothko e Barnett Newman. Conceito
amplo, o minimalismo alude ou à redução
da variedade visual numa imagem, ou ao nível
de esforço artístico necessário
para produzir tal redução. A conseqüência
é uma forma de arte mais pura e livre de mistura
que quaisquer outras, despojada de referências
não-essenciais e incontaminada pela subjetividade.
Pode-se dizer que Ad Reinhardt (1913 – 1967)
foi o minimalista por excelência. Começou
pela all-over painting nos anos 40, mas na década
seguinte amadureceu para o que julgou serem suas telas
“definitivas”: obras de cores plenas que
se atinham severamente ao mínimo. Reinhardt escureceu
a paleta e eliminou a tal ponto o contraste entre cores
adjacentes que, após 1955, sua arte restringiu-se
a sutilíssimas variações de preto
intenso e de tons quase pretos. Professor inspirador
e teórico franco, acreditava ardorosamente em
reduzir a arte à forma mais pura e, por extensão,
ao estado espiritual mais puro. Na grande e luminosa
extensão de Abstract painting number
5 (Pintura abstrata numero 5), nessa superfície
uniforme, intensa e negro-azulada, a mão do artista
faz-se propositalmente invisível.

Conseguimos discernir os tênues contornos de
uma cruz que surge quase como se Reinhardt não
a houvesse pintado. Não é uma cruz cristã;
caso se trate mesmo de uma imagem religiosa, ela o será
no sentido mais amplo possível, com uma vertical
infinita e uma horizontal também infinita –
as insondáveis dimensões do espírito
humano.
Frank Stella
Frank Stella (1936 - ) tornou-se figura fundamental
na arte americana dos anos 60. em 1959, produziu uma
série de controvertidas pinturas para a mostra
“Dezesseis americanos” do Museum of Modern
Art, em Nova York. As obras que expôs eram todas
all-over paintings cortadas por tiras de tela
intocada, criando padrões geométricos
severos. Stella eliminou conscientemente a cor, usando
tinta preta e depois cinza-metálica para, assim,
reduzir a idéia de ilusão; até
mesmo seu procedimento de pintura ficou sistemático
e minimalista. A arte de Stella não leva em consideração
os limites retangulares das telas tradicionais, fazendo-nos
lembrar que, não importa quais conotações
suas pinturas possam evocar, elas continuam a ser essencialmente
objetos coloridos. Six Mile bottom (O fundo
do lago Six Mile), muitas vezes considerada apenas
um motivo decorativo, é uma obra muitíssimo
bem-sucedida, e poderíamos dizer que ela pressupõe
existir uma ordem central nos assuntos terrenos.

A aridez geométrica dessa fase teve bastante
influência, mas Stella tornou-se um artista tão
vivaz, profuso e desafiante, que ficamos admirados com
a nobre pureza de seus primeiros trabalhos. Será
que em 1959 a explosiva alegria do pintor ainda não
fora descoberta? Ou ela se ocultava na singular rigidez
de Six Mile bottom?
Agnes Martin e Dorothea Rockburne
Nunca existirá consenso universal a respeito
dos pintores contemporâneos, mas há alguns
nomes que tem inequívoca grandeza. Agnes Martin
(1912 - ), canadense naturalizada americana, é
um desses nomes. Untitled number 3 (Sem
título numero 3) é simplesmente um
quadrado de 183 centímetros onde uma borda quase
desprovida de cor encerra grandes faixas. No centro,
jaz um rosa claríssimo, ladeado por dois retângulos
de azul ou roxo pálido. A brandura e delicada
serenidade dessa obra expõe-se diante de nossos
olhos sem que nada pareça acontecer. Mas é
preciso ficarmos com Agnes Martin, como se perscrutássemos
as águas de um lago, até que a pintura
desabroche e floresça.
Em Dorothea Rockburne (1935 - ), há muito mais
para aprender e reter. É uma artista muitíssimo
intelectual, que frequentemente se inspira nos mestres
anteriores ao século XIX, e combina vigorosa
austeridade a grande percepção lírica.
Algumas de suas obras mais maravilhosas foram executadas
com óleo e com folheado de ouro (tal como faziam
os iluminadores medievais) sobre linho preparado com
gesso de maneira tradicional.

Em Capernaum Gate (Portão de Cafarnaum),
com esses recursos simples, ela dobra, desdobra e cria
majestade geométrica, usando o máximo
esplendor dos tons saturados e fazendo-nos ver em sua
obra algo de sacro e irônico.