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História da Arte

"O MUNDO ANTIGO"

Retratando a Forma Humana

O modo com que os gregos representavam o corpo humano exerceu influência direta no desenvolvimento da arte romana e de toda a arte ocidental posterior. Uma vez que já não podemos ver muitas figuras gregas, dependemos da escultura grega para traçar a evolução do nu humano. As primeiras estátuas gregas, como, por exemplo,

esse Curo do século VII a.C., baseavam-se no sistema quadriculado dos antigos egípcios (curo ou kouros significa “moço” ou, na escultura da época, a estátua de um rapaz nu em pé). Aos poucos as linhas suavizaram-se, como vemos no “Rapaz de Crítio”, que recebeu esse nome por causa do escultor grego Crítio, cujo estilo era seguido nessa estátua do século V a.C.

Por fim, deparamos com a musculatura realista das estátuas clássicas do século V a.C., como nesse Discóbolo, uma cópia romana da estátua original, feita pelo escultor grego Míron.

A Pintura Etrusca

À mesma época que a civilização grega expandiu-se para a Itália meridional, no século VIII a.C., a misteriosa civilização etrusca já estava presente na península Itálica. Durante certo período, acreditou-se que os etruscos fossem oriundos da Ásia Menor, mas hoje se costuma afirmar que eles surgiram na própria Itália. Sua arte, embora influenciada pela grega, conservou um estilo único, que os próprios gregos valorizam bastante. Alguns exemplos da arte etrusca primitiva, tal como a pintura mural na Tumba dos Leopardos em Tarquínia, tem caráter bastante jovial. Os homens, que talvez estejam dançando, seguram uma taça de vinho, um diaulo (flauta dupla com uma só boquilha) e uma lira.


No entanto, grande parte da arte etrusca que chegou até nós guarda um tom sinistro, uma consciência da natureza incontrolável da vida e de todas as implicações disso. Entre algumas impressionantes pinturas dos túmulos etruscos, contemporâneas do período clássico na Grécia, encontra-se esse afresco do Rivo di Puglia, em que uma procissão luminosamente colorida de Mulheres enlutadas avança com força implacável.

Elas são um fascinante contraste às mulheres lamentosas da tumba de Ramose. As egípcias sofrem com a perda humana acarretada pela morte, ao passo que as etruscas afligem-se com a implacável marcha do destino.

Pintura na Grécia Clássica

O pintor mais significativo do período clássico primitivo (c. 475-450 a.C.) é Polignoto, considerado o primeiro a dar vida e caráter à arte da pintura. Nenhuma das pinturas de Polignoto chegou até nós, mas Plínio deixou uma descrição de seu “Discóbulo”. Entre as pinturas gregas remanescentes do século IV a.C., a mais notável é O rapto de Perséfone, na parede de uma tumba do mesmo complexo funerário onde foi sepultado Filipe II da Macedônia, que morreu em 356 a.C. Com a vitalidade e o naturalismo que caracterizam a arte daquela época, essa imagem evocativa e inquietante mostra como os gregos explicavam as estações do ano. Perséfone é a filha de Deméter, deusa da fertilidade.


Hades leva Perséfone à força para o mundo interior, do qual ela emergirá trazendo a primavera. Essa pintura parece estabelecer o grande ciclo das estações, e, graças a ela, o mito continua a vicer.

A Arte Helenística

Alexandre Magno (356-323 a.C.) estendeu seu império até as fronteiras da Índia, tendo antes conquistado a Pérsia, velha inimiga da Grécia, e também o Egito. Quando Alexandre morreu, esse império foi dividido entre seus generais, que estabeleceram uma série de Estados independentes, nos quais se disseminou uma cultura nova e cosmopolita, mesclando Oriente e Ocidente. Hoje conhecida como cultura Helenística, ela prevaleceu no Mediterrâneo até bem depois do Império Romano tornar-se a potência dominante. O coração dessa cultura estava em Atenas, mas seus outros centros importantes (que eram governados por reis gregos e tinham o grego como idioma) estavem na Síria, no Egito e na Ásia Menor. A obra romana conhecida como “Mosaico de Alexandre”, descoberta na Casa do Fauno, em Pompéia, baseou-se numa pintura helenística.

Ela descreve a batalha de Isso, em 333 a.C., na qual Alexandre derrotou o rei persa Dario III. A cena é violenta e vibrante, e o artista demonstra uma sofisticação técnica (ele já conhece o escorço) que confere quantidade imediatidade e impacto à obra.
A cultura helenística logo desenvolveu um amor à “arte pela arte”. A influência oriental levou a uma arte mais decorativa e suntuosa, e os elementos religiosos passaram para um segundo plano. Em seu lugar, havia pinturas de jardins (entre as quais, pode-se argumentar, estavam as primeiras paisagens), naturezas mortas, retratos e cenas da vida cotidiana. A popularidade dessa tendência, que os historiadores, curiosamente, denominaram “barroca”, é registrada por Plínio, o qual escreveu que se podia encontrar arte não só nos palácios, mas também nas barbearias e sapatarias.

A maior preocupação dos artistas helenísticos era a fidelidade com que procuravam representar o mundo real, e eles tendiam a descrever ações dramáticas e frequentemente violentas. Esses artistas desenvolveram um estilo que se equiparava à vívida tradição literária estabelecida pelo poeta romano Virgílio (70-10 a.C.).

Um exemplo definitivo da filosofia artística helenística e Laocoonte e seus dois filhos, que remonta ao século I. a escultura descreve uma cena horripilante da Eneida de Vírgilio: o sacerdote troiano Laocoonte e os filhos são estrangulados por duas serpentes marinhas. Era um castigo dos deuses, pois o sacerdote tentara alertar os troianos contra o cavalo de madeira deixado pelos gregos. Não tendo recebido o aviso, os troianos foram logrados: arrastaram o cavalo para dentro da cidade e causaram o própria derrota. Trata-se de uma escultura, mas dá alguma idéia do que deve ter sido a pintura helenística. A obra foi descoberta em 1506 e exerceu grande influência em muitos artistas da Renascença, como, por exemplo, Michelangelo, que a considerou “um milagre artístico sem igual”. Entre aqueles que foram inspirados por ela, estava o maneirista El Greco, o qual sabemos ter produzido três pinturas em que figurava a história de Laocoonte.





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