O Fauvismo
Entre 1901 e 1906, houve em Paris várias exposições
abrangentes que, pela primeira vez, tornavam bastante
visíveis obras de Van Gogh, Gauguin e Cézanne.
Para os pintores que viram as realizações
desses grandes artistas, o efeito foi uma libertação,
e eles começaram a fazer experiências com
estilos novos e radicais. O fauvismo foi o primeiro
movimento desse período moderno, no qual a cor
reinou suprema.
O fauvismo foi um fenômeno de vida curta, durando
apenas pelo tempo em que seu iniciador, Henri Matisse
(1869 – 1954), lutou para encontrar a liberdade
artística que precisava. Matisse teve de fazer
a cor servir sua arte, tal como Gauguin precisara pintar
as areias de rosa para expressar uma emoção.
Os fauvistas acreditavam inteiramente na cor como força
emocional. Com Matisse e seus amigos Vlaminck e Derain,
a cor perdeu as qualidades descritivas e tornou-se luminosa,
criando a luz em vez de imitá-la. Esses pintores
pasmaram o Salon d’Automme (Salão de Outono)
de 1905; após ter visto suas audaciosas telas
a rodear a escultura convencional de um menino, o crítico
Louis Vauxcelles observou que aquilo fazia lembrar um
Donatello “parmi lês fauves”
(“entre as feras”).

A liberdade pinturesca dos fauvistas e o uso expressivo
que faziam da cor eram magnífica comprovação
de que haviam estudado com inteligência a obra
de Van Gogh. Mas a arte deles parecia mais atrevida
do que qualquer coisa vista até então.
Vlaminck e Derain
Durante sua breve prosperidade, o fauvismo teve alguns
aspectos notáveis, entre eles Dufy, Rouault e
Braque. Maurice de Vlaminck (1876 – 1958) tinha
um quê de fera, pelo menos no vigor sombrio de
seus humores: mesmo que O rio pareça
em paz, sentimos uma tempestade aproximar-se. Proclamando-se
um “primitivo”, não dava antenção
à fartura artística do Louvre e colecionava
máscaras africanas, tão importantes para
a arte de começos do século XX.

Com a idade, André Derain (1880 – 1954)
conteria seu ardor até atingir a calma clássica.
Mas antes, em seu período fauvista, também
mostrou uma veemência primitiva; A ponte de
Charing Cross, por exemplo, atravessa uma Londres
estranhamente tropical. Em certa época, Derain
dividiu um ateliê com Vlaminck, e O rio
e A ponte de Charing Cross parecem compartilhar
uma força vibrante: ambas revelam uso desinibido
da cor e da forma, um deleite com o mero feitio das
coisas, o que pode não ser arte profunda, mas
sem dúvida oferece prazer visual.