Artistas no Portal

Obras à venda

Facebook


 

Visite o site do artista Hélio Petrus clicando na imagem
Clique na imagem e visite o Templo das Artes

Avenida Paulista é museu a céu aberto

 

Palco de protestos e shows, vitrine do mercado financeiro, cartão-postal de São Paulo. É até difícil imaginar que a avenida Paulista, tão exposta e disposta a expor tudo o que nela habita, guarde um segredo: ela também é um enorme museu a céu aberto, com quase 20 esculturas em suas calçadas -um acervo que passa despercebido para a maioria.

O fato surpreende até o presidente da associação Paulista Viva, Nelson Baeta Neves, que nasceu, cresceu e vive na avenida. "Eu sempre ando a Paulista inteirinha e realmente não lembro de ter visto essas esculturas", afirma.

Essa "invisibilidade" que parece cercar as obras localizadas na avenida é que motivou a artista plástica Lílian Amaral -autora da obra "Caminho", na esquina da Paulista com a avenida Angélica- a identificar e estudar a origem de cada uma dessas peças, trabalho que resultou em sua dissertação de mestrado na USP (Universidade de São Paulo).

A artista plástica descobriu que a tal invisibilidade estava ligada à mudez: as peças já não dizem quase nada aos milhares de pessoas que passam diariamente pela avenida -só no horário de pico, são 225 mil. E contra a tagarelice dos painéis eletrônicos, outdoors etc., elas inevitavelmente saem perdendo.

A seu modo, porém, essas peças narram parte da história da cidade no último século. Mesmo que essa história já comece, segundo Amaral, de um jeito "forjado", com a formulação, pelo movimento modernista, do que deveria ser a identidade nacional.

Década de 20, chegam à Paulista duas expressões dessa busca pelas raízes tupiniquins: o "Índio Pescador" e o "Anhanguera". Esta última, uma estátua do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, feita em mármore de Carrara.

O autor, o italiano Luiz Brizzolara, também foi responsável pelo monumento ao compositor Carlos Gomes, que fica ao lado do Teatro Municipal -sede da célebre Semana de 22.

O "Anhanguera" foi instalado diante do parque Trianon: ponto de encontro da elite intelectual paulistana da época. Ao longo da Paulista, os casarões acolhiam os barões do café.

Trinta anos depois, o cenário começou a mudar, com a construção dos primeiros edifícios comerciais. As esculturas perderam espaço no gosto popular para painéis de cerâmica em alto relevo incorporados aos prédios.

A chegada do comércio à avenida está representada na obra "O Caixeiro", na frente do prédio da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, que alude aos antigos caixeiros-viajantes.

 

 

Poderoso e chique

A maior parte das esculturas da Paulista está no local desde a década de 70, como reflexo da mudança do eixo econômico da cidade. Um novo projeto urbanístico foi implantado na avenida, que se transformava na sede de várias instituições financeiras, cuja entrada era adornada com peças de linhas abstrato-geométricas, com referências industriais.

Outro exemplo de obra ligada à presença de um grupo econômico é o monumento a Thomas Edison, no encontro da Paulista com a Consolação. A peça foi patrocinada, em 1979, pelos comerciantes locais de produtos elétricos.

"A mensagem era: se eu estou na Paulista, sou poderoso. Se estou na Paulista e tenho uma obra de arte, sou poderoso e chique. As peças mostravam que a empresa estava ligada a valores nobres", afirma Lílian Amaral.

Mas os valores mudam com o tempo e, a partir dos anos 80, envolvem a preocupação ambiental.

Ao acervo da avenida acrescenta-se uma obra de Franz Krajcberg, que trabalha com restos de árvores queimadas. "Ele fala dos efeitos da indústria na natureza. Soma-se o status da arte ao discurso ambientalista", diz Amaral.

 

Significados

Apesar da pesquisa realizada por Amaral, as histórias de algumas obras permanecem obscuras, como a "Cariátide" -resquício de um dos casarões do início do século passado e única figura feminina do grupo- e o "Homem Aramado", peça que mostra uma silhueta vazada num bloco de concreto trespassada por uma grade de ferro. A perda dos dados sobre as obras não as despe, porém, de significados.

"Para mim, o "Homem Aramado" é uma metáfora da avenida, que aprisionou o humano no concreto e no ferro que moldam a cidade", afirma Amaral. "As obras de arte conectam as pessoas à sua realidade, à sua história, dão essa sensação de pertencimento. Todos são capazes de entender a arte no cotidiano."

O primeiro passo é vê-las e preservá-las. A partir daí, as esculturas da Paulista podem ser um boa pista para cada pedestre que passa por elas entender o que significa ser um "Animal Paulistano" -aliás, nome de uma das obras presentes na avenida.

 

AMARÍLIS LAGE

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Coluna do Almandrade

Bienal de Arte, uma discussão no ar
Bienal de Arte, uma discussão no ar

O diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia fez bem, mostrou que sabe agir com bom senso abrindo o [ ... ]

Leia mais...
Arte e a cidade
Arte e a cidade

Não diz respeito à arte a invasão de caricaturas como certos monumentos e muros pintados que ma [ ... ]

Leia mais...

Coluna do Carlos Perktold

Genesco Murta
Genesco Murta

Genesco Murta hoje é nome de sala de exposições da Fundação Clóvis Salgado e de rua no bairr [ ... ]

Leia mais...
Vicente do Rego Monteiro - O Apóstolo da Simetria
Vicente do Rego Monteiro - O Apóstolo da Simetria

Há poucos meses, a Fundação Clóvis Salgado trouxe a Belo Horizonte um jovem e virtuoso violini [ ... ]

Leia mais...

Coluna do João Carlos

Perícia judicial sobre obras de arte
Perícia judicial sobre obras de arte

Os juízes de direito, para julgarem corretamente as demandas judiciais, fundamentalmente, necessita [ ... ]

Leia mais...
Arte contemporânea: afinal, o que é isso?
Arte contemporânea: afinal, o que é isso?

Por definição, contemporâneo é o que ou aquele que é do mesmo tempo, da mesma época, especialm [ ... ]

Leia mais...

Coluna do Phillip Hallawell

O papel da arte na educação
O papel da arte na educação

Tradicionalmente, a arte educação tem ocupado um lugar secundário na educação formal. No enta [ ... ]

Leia mais...
O papel do desenho na educação artística
O papel do desenho na educação artística

A arte educação está passando por uma profunda revisão desde 1970, quando Dr. Roger Sperry, en [ ... ]

Leia mais...

Coluna do Ricardo Viveiros

Rubens Ianelli - Linha, Cor, Luz: Sonhos!
Rubens Ianelli - Linha, Cor, Luz: Sonhos!

Primeiro ele desenha o esboço, depois cria o quadro. Ou, então, o que mais gosta: olha a tela br [ ... ]

Leia mais...
Cárcamo - As muitas faces de um artista único
Cárcamo - As muitas faces de um artista único

Ele pode ser apenas uma capa, as ilustrações ou todo o projeto de arte de um livro. Pode, també [ ... ]

Leia mais...

Coluna do Waldo Bravo

Apropriações e Aglutinações de Anita Colli
Apropriações e Aglutinações de Anita Colli


É sempre gratificante ver quando uma artista mergulha de coração aberto no território experimen [ ... ]

Leia mais...
29a Bienal de Arte
29a Bienal de Arte

O maior evento de artes do continente retoma suas atividades com vigor e competência, após a pro [ ... ]

Leia mais...

Visitas

2777340
Hoje
Ontem
Semana
Anterior
Mês atual
Anterior
Total
532
4964
5496
129094
104890
72374
2777340

Membros Online

Temos 32 visitantes online

Cultura

 

© 2000 - 2013 Portal Artes - Todos os direitos reservados