Pinto,
quase sempre entre a consciência de uma certa futilidade
do fazer e a beleza da afirmação desse ato gratuito,
fruto de um caos que se quer espelho.
O espelho sempre muda o olhar.
O olhar sempre muda a pintura.
Eu pinto como algo que transborda, algo que se impõe
e toma conta.
E quando aquele simpático demônio sussurra em meu
ouvido que tudo isso não vale nada, não respondo.
Pego minhas tintas e pinto mais um quadro.