VERA PIMENTA
Artista plástica. Sua obra tem uma característica própria que se torna marca registrada. A pincelada.
DONIZETTI GARCIA
Além do mosaico, compõe obras com elementos como ácido, metais, tinta acrílica ou eletrostática.
ANA K AUN
Artista plástica autodidata. Pela audácia com que mistura cores frias e fortes, sua obra respira, tem profundidade.
GILSON ALCANTARA
Artista plástico,designer e museógrafo. Gilson Alcantara supera, efetivamente, o universo das artes plásticas, para desenvolver poemas visuais.

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botticelli 541211445 -1510

Ao longo de aproximadamente 65 anos de vida, Sandro Botticelli conheceu o auge da glória — foi o mais celebrado pintor de Florença e o próprio Papa Sisto IV convidou-o a participar da decoração da Capela Sistina — e experimentou o doloroso esquecimento, ignorado pelos ricos clientes que já não apreciavam seu estilo. Quando morreu, em maio de 1510, sua passada fama foi enterrada junto, numa sepultura que ficou sem lápide. Mais de trezentos anos depois, os artistas ingleses do movimento conhecido como Irmandade Pré-Rafaelita redescobriram-lhe a obra: cenas religiosas, episódios mitológicos, retratos que nunca mais deixaram de encantar especialistas e leigos pela suave beleza de suas madonas e deusas, pela magistral precisão de sua pincelada, pela atmosfera de sonho que em geral transmitem.

O Florentino Esquecido

Tendo conhecido a glória e a riqueza, Botticelli morreu esquecido, e só mais de três séculos depois sua obra foi redescoberta.

A história de sua vida, porém, continua em grande parte ignorada.

Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi nasceu em Florença, provavelmente nos primeiros meses de 1445, pois em março de 1447 seu pai, o curtidor de couros Mariano Filipepi, declarou às autoridades locais que o menino tinha 2 anos. Mais tarde, em fevereiro de 1458, fez nova declaração pública, informando que tinha quatro filhos: Giovanni, de 37 anos; Antonio, de 28; Simone, de 14 e Alessandro, de 13.

botticelli lamentacao resize 2e662A lamentação

Não se sabe exatamente de onde provém o nome Botticelli, que Sandro (diminutivo de Alessandro) tornou célebre. Segundo uma versão, Giovanni era muito gordo e por isso tinha o apelido de Botticello (pipazinha), que acabou se estendendo aos irmãos. Outra explicação é que o nome seria uma corruptela de battigello (bate-folhas), artesão encarregado de laminar ouro, prata e outros metais preciosos para uso em ourivesaria. Antonio era battigello e, ao que parece, Sandro também aprendeu a função. Seja qual for a razão do nome, foi adotado por volta de 1470 e, interpretado como sobrenome, passou a ser grafado com -i, desinência indicativa do masculino plural em italiano.

A família vivia modestamente no bairro florentino de Ognissanti, onde morava a maioria dos trabalhadores responsáveis pela manutenção da rica indústria têxtil local.

Mesmo depois de obter fortuna e sucesso, Sandro continuou fiel a seu bairro, e até o fim da vida habitou a casa que havia sido de seus pais.

O CAMINHO PARA A FAMA

Pouco se sabe sobre a infância de Botticelli. Na declaração pública que fez em 1458 Mariano Filipepi informou que o caçula aprendia a ler e era "doentio". Por essa época, provavelmente, o garoto se iniciava na profissão de ourives, mas, se a suposição é verdadeira, logo decidiu trocar os metais pelas tintas e por volta de 1461 ou 1462 começou a estudar pintura. E possível que tenha sido discípulo de Filippo Lippi, mestre florentino que desde 1452 trabalhava num ciclo de afrescos na Catedral de Prato, cidade próxima a Florença. Lippi era famoso não só por sua arte, essencialmente religiosa, mas também por seus escândalos. Em 1450, fora levado ao tribunal sob acusação de fraude; seis ou sete anos depois, raptou a freira Lucrécia Buti, que em 1457 ou 1458 lhe deu um filho, Filippino, mais tarde discípulo de Botticelli.

Após a morte de seu provável mestre, em 1469, Botticelli estabeleceu-se como pintor independente, instalando sua oficina na casa onde morava. O artista e historiador de arte Giorgio Vasari conta que ao lado funcionava uma tecelagem onde oito enormes teares trabalhavam sem cessar fazendo um barulho ensurdecedor que impedia a concentração do artista. Depois de inutilmente implorar ao vizinho que atenuasse o ruído, Botticelli pendurou na parede externa uma pedra gigantesca, que ameaçava cair a qualquer momento sobre a casa do tecelão. Foi o quanto bastou para poder pintar em paz.

Em 1470 recebeu sua primeira encomenda documentada. Tratava-se de elaborar uma figura da Fortaleza para compor uma série de sete virtudes que adornaria a Câmara de Conselho da Corporação dos Mercadores. Piero del Pollaiolo — que, juntamente com o irmão, Antonio, influenciou Botticelli nesse período — havia sido encarregado de criar toda a série e chegara a completar algumas figuras. Entretanto, por intervenção de um amigo do governante Lourenço de Medici, "o Magnífico", a Fortaleza passou para as mãos de Botticelli, abrindo-lhe caminho para outras encomendas importantes.

botticelli fortaleza resize f3be4Fortaleza

Cerca de três anos mais tarde, a fama de Botticelli havia crescido tanto que ultrapassara os limites de Florença. Em 1473, ele foi convidado a pintar um afresco na Catedral de Pisa; o projeto não chegou a concretizar-se, mas, dada sua envergadura, contribuiu para aumentar o renome do artista. Por volta de 1475, o banqueiro Zanobi del Lama encomendou-lhe uma Adoração dos Magos para adornar a Igreja de Santa Maria Novella. A mesma época tornava-se cliente de Sandro o rico Lorenzo di Pierfrancesco de Medici, primo de Lourenço, "o Magnífico" .

botticelli adoracao dos magos resize 86dffAdoração dos Magos

Embora tivesse estabelecido a paz na cidade e se empenhasse em promover as artes e as ciências, "o Magnífico" não governava sem a oposição de poderosas famílias — como os Pazzi que gostariam de ocupar o seu lugar. Em 26 de abril de 1478, durante a celebração de uma missa na catedral, ele e seu irmão Giuliano foram vítimas de um atentado promovido pelos Pazzi com o apoio do Papa Sisto IV. Giuliano morreu, mas Lourenço escapou apenas ferido e tratou de punir os conspiradores de maneira exemplar. Para manter a execução viva na memória de todos, prevenindo contra eventuais atentados futuros, ordenou a Botticelli que pintasse a cena de enforcamento (destruída após a morte do Magnífico).

Malograda a conspiração, que só fez fortalecer o prestígio de Lourenço junto ao povo, o Papa Sisto IV resolveu restabelecer boas relações com os Medici e convidou artistas de Florença a participarem da decoração da recém-construída Capela Sistina, no Vaticano. Botticelli era um desses artistas; no verão de 1481 chegou a Roma, onde permaneceu até o ano seguinte, executando três afrescos pelos quais foi regiamente pago.

SEM RIVAL EM FLORENÇA

Na década de 1480, o duque de Milão pediu uma relação dos mais prestigiados artistas de Florença. O nome de Botticelli encabeçava a lista como "excelentíssimo pintor, tanto em madeira quanto em mural". Com efeito, nessa época praticamente não havia na cidade quem pudesse rivalizar com ele: Leonardo da Vinci havia partido para Milão; os irmãos Piero e Antonio del Pollaiolo trabalhavam em Roma; Andrea del Verrocchio fora para Veneza executar o célebre monumento eqüestre a Bartolomeo Colleone.

Botticelli estava no auge da fama e no esplendor de seu talento. Choviam-lhe encomendas para pintar cenas religiosas e profanas, retratos, florentinos do século XV, estandartes, e ele executava-as sem cessar, ajudado por vários assistentes. Sua oficina vivia em febril atividade, mas todos trabalhavam contentes, estimulados pelo exemplo do mestre, que ainda lhes proporcionava boas oportunidades para rir, não raro à custa de algum companheiro.

A este respeito Vasari relata um episódio pitoresco. Um discípulo, citado apenas como Biagio, havia copiado uma das muitas madonas com o menino elaboradas pelo mestre. Botticelli disse-lhe que havia encontrado uma pessoa interessada em adquirir o trabalho e, depois de fazer o rapaz pendurar o quadro em lugar alto e bem iluminado, mandou-o buscar o comprador em potencial. Entrementes, com a ajuda de outro discípulo, fabricou alguns chapéus de papel vermelho, parecidos com os que os conselheiros de Florença usavam, e colou-os na cabeça dos anjos que cercavam a Madona, a qual parecia prestes a presidir uma reunião do Conselho local. Quando voltou com o cliente — que aparentemente não notou nada de estranho —, Biagio empalideceu de espanto, porém manteve-se calado até concluir-se o negócio. Então, acompanhou o comprador para receber o pagamento e, ao retornar, abriu a boca para protestar. Os chapéus, entretanto, haviam sido retirados, e o pobre moço foi persuadido de que tudo não passara de uma alucinação de sua parte.

O CAMINHO PARA O ESQUECIMENTO

Na década seguinte a estrela de Botticelli começou a declinar, junto com o prestígio dos Medici. Em 1491, o dominicano Girolamo Savonarola, que se julgava escolhido por Deus para regenerar o povo e a Igreja, tornou-se prior do Convento de San Marco, de onde disparava sermões contra Lourenço, "o Magnífico", e vaticinava a destruição da cidade por invasores franceses. Como grande parte dos florentinos esclarecidos, de início Botticelli não lhe deu ouvidos, mas o desenrolar dos acontecimentos acabou convencendo-o de que o dominicano estava certo.

Em 1492 "o Magnífico" morreu, e seu filho Piero assumiu o governo. Dois anos depois, Carlos VIII, rei da França, invadiu a península italiana e ameaçou tomar Florença.

Amedrontado, Piero cedeu-lhe o porto de Pisa e outros pontos vitais para a cidade. A população encheu-se de ódio e não só o expulsou como tratou de manter todos os Medici afastados do poder. Imediatamente Savonarola proclamou a verdade de suas profecias e foi em pessoa negociar com Carlos VIII uma paz mais honrosa. Ao retornar vitorioso, foi saudado como o salvador de Florença e assumiu o governo com poderes absolutos, impondo à cidade um estilo de vida quase monástico.

A princípio, a população acatou-lhe todas as decisões, mas pouco a pouco dividiu-se em dois partidos: os piagnoni (chorões), que o apoiavam irrestritamente — e entre os quais talvez se incluísse Botticelli —, e os arrabbiati (raivosos), que queriam depô-lo. Lorenzo de Pierfrancesco parece que se alinhava entre estes últimos, pois precisou deixar Florença por motivos políticos.

O Papa Alexandre VI, um Bórgia, era alvo constante dos sermões de Savonarola e um dia chamou-o a Roma para retratar-se. O dominicano simplesmente ignorou a convocação, o .que lhe retirou o apoio de bom número de piagnoni fiéis ao pontífice. Pouco depois, Savonarola tomou conhecimento de que se armava uma conspiração para reconduzir os Medici ao poder; tentando recuperar os adeptos perdidos, declarou-se pronto a submeter-se às chamas da fogueira para provar que era um enviado de Deus. Um frade da ordem franciscana — opositora de Savonarola — ofereceu-se para passar pela mesma prova, e o dominicano esquivou-se, golpeando de morte sua já minguada popularidade. Excomungado pelo papa, apoiado por poucos, foi facilmente preso pelo Conselho e, sob acusação de falso profeta, acabou queimado vivo em 1498.

Todos esses episódios violentos deixaram marcas profundas na alma e na arte de Botticelli, que passou a dedicar-se à meditação, vivendo quase recluso, e a pintar exclusivamente temas religiosos, num estilo cada vez mais pessoal e sombrio. As encomendas escasseavam. Em 1502, quando procurava um bom pintor para prestar-lhe serviço, Isabella Gonzaga foi informada de que Botticelli poderia ser-lhe útil — feita, no entanto, a ressalva de que outros famosos artistas florentinos encontravam-se "ocupados demais". Isabella não se mostrou interessada em seus préstimos.

Para piorar a situação, em novembro do mesmo ano Botticelli foi acusado de homossexualismo. A acusação foi descartada por falta de provas, mas a dúvida sobre sua procedência permaneceu para sempre. Sabe-se que Botticelli não se casou, porém não há notícias de nenhum envolvimento amoroso com outros homens.

Em 1504, Florença prestou-lhe ainda uma pequena homenagem, convidando-o a participar da comissão que decidiria o local onde seria instalada a escultura Davi, de Michelangelo. Era pouco, no entanto, para tirar o velho mestre da obscuridade em que havia mergulhado. Na verdade, não fora a reclusão nem a acusação de homossexualismo que afastaram os clientes, e sim razões de ordem estética. Seu estilo aproximava-se cada vez mais do arcaico medieval, enquanto o gosto dos mecenas evoluía na direção da arte mais poderosa e inovadora de Leonardo e Michelangelo. Totalmente ofuscado por eles, Sandro Botticelli morreu solitário e esquecido, em maio de 1510, e no esquecimento permaneceu sua obra até o século XIX, quando os artistas ingleses da Irmandade Pré-Rafaelita nela encontraram um espírito afim e finalmente lhe fizeram justiça.

Uma Arte Inspirada na Fé e no Mito

Deusas com candura de madonas, mitos pagãos com significado

de lições morais: à luz de seus princípios cristãos, Botticelli

transformou a mitologia e pintou obras-primas da arte religiosa.

Como a maioria de seus contemporâneos, Botticelli pintou sobretudo cenas religiosas, mas não deixou de elaborar também temas mitológicos e retratos. Catálogos de sua produção listam cerca de 150 obras que chegaram até nossos dias — número excepcionalmente grande para um artista do século XV. A maior parte desses trabalhos foi realizada em óleo sobre madeira, porém há vários afrescos — técnica em que foi mestre — e desenhos.

De todas as obras, apenas uma — Natividade Mística — traz data e assinatura e _poucas estão documentadas. Sabe-se que seus auxiliares participaram da execução de numerosos originais, dos quais admiradores e imitadores tiraram infindáveis cópias. Diante disso, tornou-se difícil estabelecer a autenticidade e a cronologia dos quadros, que vão do vigoroso realismo de Fortaleza ao êxtase antinaturalístico de Natividade Mística.

botticelli natividade mistica resize 3c06eNatividade Mística

Apesar das controvérsias e dos poucos dados sobre a biografia de Botticelli, não há dúvidas de que, no auge da carreira, ele foi o mais solicitado pintor de Florença. Já devia ser bastante conceituado em 1481, quando foi chamado a Roma para participar da decoração da Capela Sistina.

Ao voltar para sua cidade natal, no ano seguinte, Botticelli encontrou-se praticamente sem rival, pois os grandes pintores locais estavam ausentes. Dispunha então de uma clientela numerosa e variada, que incluía os próprios Medici e outras grandes famílias locais, autoridades civis e algumas das melhores igrejas.

A MITOLOGIA REVISITADA

Até a década de 1490, quando sofreu a influência de Savonarola, Botticelli pintou várias cenas de inspiração mitológica — que hoje são as mais famosas de sua produção.

Homem profundamente religioso, transformou, entretanto, a mitologia para adequá-la a seus princípios cristãos, dando-lhe um valor de alegoria e despojando-a de sensualidade. Sua deusa do amor, em O Nascimento de Vênus, é tão frágil e delicada que nada sugere de erótico; há mesmo quem a veja como um símbolo da humanidade desamparada à espera do renascimento em Deus por meio do batismo.

botticelli nacimento de venus resize 378ceO Nascimento de Vênus

Qualquer que seja o tratamento que Botticelli deu aos temas mitológicos, o fato concreto é que ele foi o primeiro artista, desde a Antiguidade, a valorizar a mitologia e a utilizá-la como inspiração para larga série de trabalhos. Na época, não se dava maior importância a tais assuntos, escolhidos geralmente para decorar peças de mobiliário sobretudo as arcas que costumavam ser dadas como presente de casamento. Botticelli pintou cenas mitológicas meramente decorativas. E quase certo que Vênus e Marte, uma de suas obras-primas no gênero, foi elaborada para um móvel. provavelmente uma cabeceira de cama.

botticelli marte e venus resize 7798cVênus e Marte

As cenas mitológicas destinavam-se a uma clientela sofisticada, muito diferente do público a que se dirigia grande parte dos temas religiosos. Ainda que estes fossem encomendados por clientes de prestígio — como freqüentemente ocorria —, em geral ficavam expostos nas igrejas, diante dos olhos de fiéis dotados de diversos níveis de sensibilidade e entendimento; por isso precisavam ter um significado bastante claro e seguir à risca as fórmulas tradicionais da arte cristã.

Já as cenas de mitologia não obedeciam necessariamente a padrões prefixados, podendo dar margem às mais variadas interpretações. Botticelli, contudo, pintou-as praticamente no estilo que adotou para os temas religiosos. Suas deusas assemelham-se muito a suas madonas, apresentando a mesma beleza triste e doce e a mesma graça requintada que constitui uma de suas marcas pessoais.

DESENHOS PARA DANTE

No século XV, o desenho ainda era visto como arte auxiliar, uma forma de estudar a composição de um quadro ou o tratamento que seria dado a determinada figura ou detalhe. Botticelli, porém, usou-o como arte autônoma, esteticamente válida por si mesma. E nessa técnica suas melhores realizações são as ilustrações elaboradas provavelmente na década de 1490 para uma luxuosa edição manuscrita de A Divina Comédia, de Dante. O trabalho foi encomendado por Lorenzo di Pierfrancesco de Medici, e hoje se encontra distribuído entre museus de Berlim e do Vaticano. A maioria dos desenhos foi executada a bico-de-pena, mas alguns são coloridos. Embora nem todos tenham sido concluídos, possuem grande sutileza e refinamento, sobretudo nos contornos, constituindo-se em trabalhos únicos para a época.

botticelli mapa do inferno resize 9aaeaA Divina Comédia, - Mapa do Inferno

Os contornos marcam não só os desenhos, mas toda a produção pictórica de Botticelli, que fez da composição linear uma de suas marcas registradas. Nesse tipo de composição, os efeitos de volume, profundidade e movimento são criados mais pelos contornos das formas representadas do que pelas massas de tom e cor. Numa época em que Leonardo manejava os tons com mestria, a linearidade de composição de Botticelli parecia antiquada, e contribuiu para mergulhá-lo na obscuridade.

A pesquisa científica, sobretudo no campo da anatomia, a visão da arte como forma de conhecimento, o uso das novas maneiras de pintar não despertavam o interesse de Botticelli. Ao contrário, à medida que se intensificava seu fervor religioso, seu estilo tornava-se menos naturalístico e mais arcaico. Sua última obra-prima, Natividade Mística, comprova essa indiferença pelos progressos que os italianos — sobretudo os florentinos — haviam feito na representação naturalística ao longo do século XV.

A TARDIA REDESCOBERTA

Esquecido no fim da vida, depois da morte, Botticelli só não teve o nome riscado da história da pintura porque sua biografia constava do livro de Vasari e havia obras suas em várias igrejas de Florença e na Capela Sistina — embora, estas passassem despercebidas aos olhos das multidões que lá iam exclusivamente para admirar o teto pintado por Michelangelo.

Em meados do século XIX, surgiu na Inglaterra um movimento artístico intitulado Irmandade Pré-Rafaelita que, entre outros objetivos, propunha-se a estudar os pintores italianos anteriores a Rafael. E assim foi redescoberta a obra de Botticelli, que, centenas de anos depois, pouco a pouco recuperou a fama desfrutada no apogeu da carreira e hoje em dia é um dos pintores renascentistas mais admirados no mundo inteiro.


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